“Amarga Mente”: uma viagem íntima pela escrita de Matilde Lourenço Martinho
No passado dia 18 de abril, teve lugar, no auditório da Biblioteca Municipal Miguel Torga, a apresentação pública do livro Amarga Mente, da autoria de Matilde Lourenço Martinho, editado pela Oficina da Escrita.
A sessão, conduzida pela própria autora, proporcionou ao público um momento intimista e emotivo, enriquecido por momentos musicais interpretados pelo maestro Valter Correia e por Gonçalo, da Filarmónica Flor do Alva.
Natural de Vila Cova de Alva, Matilde Lourenço Martinho descobriu o gosto pela escrita em 2022, revelando desde então uma forte ligação à expressão literária, a par de um gosto pela música que a acompanha desde sempre.
Durante a apresentação, Matilde Lourenço Martinho partilhou o percurso que deu origem à obra, revelando que, antes de se dedicar à poesia, tentou escrever em prosa, tendo, no entanto, desistido por sentir dificuldade em avançar nesse registo. Apesar de ter sido escrito num período de apenas dois meses, Amarga Mente revelou-se um desafio exigente, marcado por muitas noites em branco — uma experiência que a autora descreve na nota de introdução: “entre espinhos e ansiedades, lágrimas e incertezas, atravessei o estado mais amargo da minha mente, e foi a escrita que revelou o meu íntimo”.
Mais do que um conjunto de poemas, a obra evidencia uma coragem rara: a de se expor através da linguagem poética de forma autêntica, crua e sem rodeios, recusando o conforto das máscaras e enfrentando, sem receio, o olhar e o julgamento alheio. Há, nos seus versos, uma verdade desarmante que convoca o leitor, desafiando-o a escutar e a sentir para além da superfície.
A autora contextualizou ainda a escolha do título e do subtítulo — “das grandes perdas podem nascer grandes histórias” — bem como o significado da capa, que descreveu como a “porta de entrada” para o universo do livro.
Um dos momentos mais marcantes da sessão foi a leitura de três poemas por pessoas que a autora considera âncoras na sua vida — figuras fundamentais que deram voz às palavras que compõem a obra.
A sessão terminou com palavras de apreço e incentivo por parte da Senhora Vice-Presidente da Câmara Municipal de Arganil, Paula Dinis, do Presidente da União de Freguesias de Vila Cova de Alva e Anceriz, João Gonçalves, e da Coordenadora da Biblioteca Municipal, Miriella de Vocht, que destacaram a importância da criação literária e o valor da partilha cultural na comunidade.
A apresentação de Amarga Mente revelou-se, assim, um momento de celebração da escrita, da sensibilidade e da expressão artística, deixando uma forte impressão junto de todos os presentes.















